SIMPOSIUM APTFeridas 2011
NOVAS EVIDÊNCIAS NO PÉ DIABÉTICO
DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL ISQUEMIA VS NEUROPATIA?
Martins, Joana1,2
1 Assistente Hospitalar – Serviço e Angiologia e Cirurgia Vascular do Hospital de Santo António – CHP
jomarti73@hotmail.com
O Pé Diabético divide-se como todos sabemos em duas entidades clínicas, o Pé Neuroisquémico e o Pé Neuropático. O que os distingue, para além dos sintomas e dos sinais clínicos por si só evidentes na maioria dos casos, é a presença de doença arterial obstrutiva periférica (DAOP), a investigar sempre que não se palpam os pulsos arteriais nos membros inferiores.
Um parte significativa dos doentes diabéticos com doença arterial não vai ter claudicação intermitente gemelar, pois a maioria tem doença arterial distal cujo sintoma é claudicação do pé, um sintoma difícil de definir pelo doente e que pode ser mascarado pelos sintomas de neuropatia. Muitas vezes os doentes também não passam pelo estádio de dor repouso, forma de apresentação frequente da isquemia critica num doente não diabético, surgindo já com uma lesão trófica instalada, cujo aparecimento é uma consequência frequente da associação da neuropatia e arteriopatia. Portanto os sintomas mais importantes que surgem habitualmente em doentes com DAOP podem estar mascarados ou ausentes nos diabéticos. Por outro lado, a elevado prevalência de doença arterial obstrutiva periférica neste grupo de doentes deve-nos sempre levar a pensar em primeiro lugar na etiologia da doença que leva à não cicatrização de uma ferida no pé de um doente diabético. Uma doença arterial previamente assintomática pode estar por trás desta nova situação clínica transformando este quadro numa isquemia crítica, com risco de perda do membro.
A simples palpação e pulsos femorais, popliteos, tibiais posteriores e pediosos bilateralmente pode-nos orientar no diagnóstico. Um doente diabético com uma lesão trófica e sem pulsos arteriais palpáveis é o que definimos por Pé Diabético Isquémico ou Neuroisquémico. Todos os exames que se seguirem são efectuados no sentido de avaliar a capacidade de cicatrização e a necessidade e possibilidade de revascularização. Um método de diagnostico simples é a avaliação dos fluxos doppler e das pressões arteriais distais com a determinação do índice tornozelo-braço (ITB), através de um doppler portátil, facilmente presente em qualquer gabinete de consulta.
É importante relembrar que a presença de fluxos não significa ausência de doença arterial, mas são as características do fluxo que nos orientam no diagnóstico diferencial. Isto é muito importante pois podemos ter um ITB que pode ser “normal” num doente com Pé Diabético Isquémico por imcompressibilidade das artérias distais, mas neste caso a amplitude e as características dos fluxos vão estar alteradas (monofásicos). O diagnóstico de Pé Diabético Isquémico é essencialmente clínico e os exames que subsequentemente poderemos e devemos fazer são para nos auxiliar no diagnóstico e na avaliação da capacidade de cicatrização das lesões. A palpação dos pulsos arteriais em doentes diabéticos com lesões tróficas é essencial e tem que ser sistemática.
Segundo o BASIL Trial*, aproximadamente 50% dos doentes com isquemia crítica do membro inferior submetidos a angiografia não tem condições de revascularização e um grupo adicional nem sequer é candidato a revascularização por mau estado geral ou doença demasiado avançada.
A isquemia crítica tem um mau prognóstico e os doentes revascularizados são uma minoria. A possibilidade de revascularização depende para além do estado geral do doente e da extensão e padrão da doença arterial, da extensão das lesões cutâneas e dos planos profundos e condicionada pela frequente associação de infecção. O diagnóstico precoce e a breve referenciação destes doentes é essencial, antes da evolução das lesões para a destruição irreversível do pé.
*Bypass vs Angioplasty in Severe Ischaemia of the Leg
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O Projecto Feridas agradece à APTFeridas a autorização de publicação do presente artigo









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